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Crítica | The Flash

O grande problema de “The Flash” é quase não ser um filme sobre o Flash.

Embora ainda não tenha uma data de lançamento na HBO Max, “The Flash” já está disponível para aluguel e compra em diferentes plataformas aqui no Brasil. O filme fez uma carreira fraca no cinema, arrecadando em torno de 268 milhões de dólares mundialmente para um orçamento de 220 milhões.

Muitos fatores podem justificar o prejuízo. Eles vão da ficha criminal do ator Ezra Miller, que vive o protagonista Barry Allen, à estafa do público com filmes de super-heróis, ao histórico de produções questionáveis da Warner para com personagens da DC Comics nas telonas (não sei se um dia perdoarei os responsáveis por “Adão Negro”).

É um resultado merecido. Para além de qualquer outro motivo, esse é um filme péssimo. E que reúne nele um enorme “problema da época” que vem assolando produções dos últimos anos: a nostalgia como uma muleta criativa. A começar por “The Flash” ser um filme sobre muitas coisas, mas quase nada sobre o próprio Flash.

Imagem: Warner

Na trama, após eventos ocorridos em “Liga da Justiça” (2017), a vida de Barry Allen não está das melhores. Seu pai, há anos na cadeia pela acusação de ter matado sua esposa, mãe de Barry, deve entrar com uma apelação a partir de um vídeo do dia do assassinato que comprovaria sua inocência. Contudo, o vídeo, recuperado a partir de um programa IA das indústrias Wayne, não produz provas o suficiente para isso (pois ele não olha para a câmera de segurança naquele momento).

Calha então de Barry descobrir a habilidade de voltar no tempo. Isso possibilita que ele salve sua mãe, o que salva também seu pai e permite que eles vivam uma vida feliz juntos em família.

O problema é que isso altera a linha do tempo de um jeito interdimensional, com Flash retornando para uma realidade bastante diferente. Sem o trauma de perder os pais, Barry agora é um jovem universitário inconsequente e deslumbrado. E outras pessoas também são diferentes, não só em personalidade, mas, literalmente, outras pessoas.

O Bruce Wayne, que na terra original do Flash é vivido por Ben Affleck, nesse novo universo é encarnado por Michael Keaton, dos filmes dirigidos por Tim Burton. Superman? A nave se perdeu e o bebê morreu. Mas quem chegou à Terra foi a Supergirl, Kara, vivida por Sasha Calle. Ciborgue, Aquaman e Mulher-Maravilha não existem.

Por um acidente, o Barry original perde seus poderes no evento em que o Barry dessa Terra ganha os seus. Coincidentemente, isso acontece perto do momento em que o planeta é invadido pelo General Zod (Michael Shannon). Junto do Batman, a dupla então precisa salvar a Supergirl de uma instalação militar, enfrentar o vilão e dar um jeito de arrumar as linhas do tempo, que ameaçam se cruzar pelas viagens do velocista.

Imagem: Warner

Há quase todo momento, o filme parece se envergonhar de ter no Flash seu protagonista. Os destaques narrativos, as histórias, segmentos e cenas parecem mais focadas em fazer todo o resto brilhar mais do que ele.

Na primeira parte do filme, há um destaque grande ao Batman de Ben Affleck, numa perseguição por Gotham onde vemos o personagem e seus gadgets em maior ação que em seu próprio longa-metragem, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016).

Quando a trama vai para o universo de Batman de Michael Keaton, o filme se torna uma homenagem ao personagem, e o desenvolve como um herói deslocado, que já não precisa mais vestir a capa, pois seus esforços no passado foram o suficiente para levar paz à cidade.

E ao chegarem no ponto em que, enfim, libertam a Supergirl, é a história da heroína que ganha mais importância, com o General Zod lhe servindo como um adversário não só em poder, mas em visões de mundo. Sobre o Flash mesmo, é como uma trama paralela ao fundo.

Piora quando essas escolhas narrativas parecem calcadas na nostalgia e no sentimento do que “poderia ter sido”. Como teria sido um filme solo do Batman de Ben Affleck? Como estaria hoje o Batman de Michael Keaton? Como seria o Superman de Zack Snyder sem o Superman?

O ápice negativo vem mais ao fim, quando os Flashs precisam arrumar as linhas do tempo. Na sequência, são representados vários universos com personagens da DC que já haviam sido adaptados para as telas, ou rascunhos que nunca saíram do papel. A maioria deles reconstruídos digitalmente, com um cgi desconfortável.

E por sabe-se lá qual motivo, dedicam um tempo exagerado ao Superman que seria vivido por Nicolas Cage, inclusive com características que se tornaram piadas, como o cabelo longo e o vilão ser uma aranha gigante. Essas aparições não acrescentam nada à trama. Parecem vídeos de TikTok dentro de um filme.

Imagem: Warner

Por fim, todo o motivo por trás de “The Flash”, que era reiniciar o universo cinematográfico da DC para que James Gunn recomeçasse em breve o jogo, vai por água abaixo, pois não há reboot. Nada muda de verdade, exceto pelo Batman do universo original de Flash, que deixa de ser Ben Affleck, a passa a ser… George Clooney.

Sendo “oficialmente” um dos últimos filmes do universo DC liderado pelo cineasta Zack Snyder, “The Flash” é um amalgama de vários erros cometidos com essas propriedades intelectuais pela Warner. Há uma porção de personagens secundários, vilões e tramas extremamente interessantes dentro dos gibis do Flash que poderiam ter sido exploradas nesse filme. No entanto, os envolvidos optaram por fazer desse um longa de outros personagens.

Será que essa galera já leu alguma revista em quadrinho na vida? Fica difícil acreditar. E semana que vem estreia “Besouro Azul”, cujos trailers mostram menos Besouro Azul e mais “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017). Que Darkside nos dê forças…

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