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Crítica | Tetris

Filme sobre os bastidores de licenciamento do jogo é um thriller surpreendente e emocionante.

Tudo no filme “Tetris” se encaixa.

Okay, foi uma tirada ruim. Mas é verdadeira. Pois, tal como no jogo clássico onde as peças em formatos diferentes precisam ser juntas em linhas para que os níveis sejam batidos, o diretor Jon S. Baird une aqui elementos narrativos distintos para entregar um longa-metragem de alto nível.

Histórias de bastidores de grandes propriedades intelectuais do mundo dos videogames podem ser muito interessantes. Recomendo ao leitor o livro “A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração”, de Blake J. Harris, publicado aqui pela editora Intrínseca, e o documentário “A Guerra dos Consoles”, também dirigido pelo autor.

Ambos contam os bastidores da escalada da Sega como grande concorrente da Nintendo no mercado de games nos Estados Unidos na década de 1990, com destaque para alguns lançamentos que se tornariam clássicos dali em diante, como “Super Mario World”, “Sonic”, “Donkey Kong Country”, dentre outros.

Imagem: Apple TV+

“Tetris” traz um capítulo anterior a esse. Em 1988, acompanhamos a saga do designer de videogames Henk Rogers para licenciar Tetris no Japão. Os direitos dos jogos estão com o empresário Robert Stein, da Andromeda Software, que os licenciou para distribuição internacional para a Mirrorsoft, empresa comandada pelo barão midiático Robert Maxwell e por seu filho Kevin Maxwell.

A exceção é o Japão, cujo mercado é mais restrito e necessita de negociações além das já feitas. Nessa, Henk Rogers adquire os direitos para o território nipônico em consoles, computadores e fliperamas, e pretende distribuir o jogo através da Nintendo. Um trunfo ainda maior é o lançamento do portátil Game Boy, aparelho perfeito para o tipo de experiência do Tetris.

Contudo, contratempos acontecem. Robert Maxwell usa seu poder na máquina empresarial para minar os acordos que não lhe favorecem. Para lutar de igual pra igual, Henk decide negociar diretamente com os donos do jogo.

Imagem: Apple TV+

Ocorre que Tetris é uma criação do programador Alexey Pajitnov, que trabalha para a ELORG, uma empresa estatal da União Soviética. O game foi feito de forma despretensiosa, em seu tempo livre, mas Alexey não detém seus direitos.

Não entrarei em muitos detalhes para não estragar surpresas do roteiro, mas da chegada de Henk à União Soviética (em tempo de Guerra Fria, território ideologicamente inimigo dos Estados Unidos) em diante, “Tetris” ganha ares de filmes de espionagem.

Ele retrata o clima de paranoia da época, com as complicações relacionadas aos contratos de distribuição do jogo sendo vistas como tentativas de infiltração internacional no país. Em paralelo, a presença de videogames e cultura pop num geral é vista como “ocidental” e “transgressora”.

Imagem: Apple TV+

Tudo isso serve de engate para diferentes, e perigosas, figuras tentarem se aproveitar de tal cenário para lucrarem em cima de trabalhos alheios. É uma boa ilustração de como, para muito além de ideologias econômicas e sociais, a corrupção é sempre um mal a ser combatido.

O mais interessante disso é como o Jon S. Baird, de novo, “junta as peças”. O filme é montado dum jeito “pop”, utilizando e estética de jogos 8-bits nos cenários, em transições e momentos chave. “Tetris” não é a adaptação de um jogo para as telonas, sim de sua história de licenciamento, mas o roteiro é planejado como se fases fossem passadas, com a dificuldade aumentado a cada nova etapa.

E, no fim, podemos entender que essa é, além de tudo, uma história sobre como “esquisitões” sempre podem encontrar grandes amigos através de suas paixões. A cena com Henk e Alexey no computador aprimorando o jogo é muito bonita. Ambos correm perigo simplesmente por estarem se falando, mas dali nasce uma parceria simplesmente pelos dois serem fascinados por videogames. Não há força de Estado ou de conglomerados capitalistas que possa oprimir algo assim.

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